quinta-feira, 28 de março de 2013

Vai me dizer que você nunca mentiu?

Quem nunca mentiu que atire a primeira pedra.

Lidamos com a mentira no mundo dos adultos tão naturalmente que quando nos deparamos com uma pessoa sincera e veraz a exaltamos como se sua atitude fosse digna de louvor. Mas e no mundo infantil? E quando a mentira sai dos lábios tão inocentes de nosso filho?
Até os 3 anos  os pequeninos não sabem distinguir entre o real e o fantástico. É nesta idade também que vivenciam mundos irreais de sua imaginação com um ou mais amigos imaginários. É em meio a tanta fantasia que surgem as primeiras mentiras. Os especialistas e educadores dizem que mentir ou fantasiar é normal até aproximadamente 7 anos.

Eu me pergunto, por que mentir? O que leva criaturinhas tão pequenas e em formação de caráter adquirir o habito de mentir?
Sabe-se que ao mentir a criança busca fugir de uma repreensão ou mentem para não frustrar a mãe e o pai que muitas vezes têm grandes expectativas em relação a ela. E na verdade eu me sinto traída quando meus filhos mentem pra mim. Me frustra sim.

Aqui em casa temos muita preocupação em relação a esse assunto. Cresci ouvindo e contando muitas mentiras. Quando pequena acreditava em muitas delas, mas fui crescendo e aprendendo que mentir tinha suas “vantagens”.  Talvez eu não fosse uma mitomaniaca (tendência doentia de mentir) mas muitas vezes menti sobre coisas que não eram nem um pouco necessárias.
Mas espere!! Existe mentira necessária? E mentira pra fazer o bem pode? Em minha opinião NÃO.

Temos por princípio aqui em casa, NUNCA mentir porque acreditamos que nenhuma mentira, por mais inofensiva que pareça, pode favorecer na construção do caráter de nossos filhos, muito pelo contrário.
É na infância que o senso ético do que é certo e errado é formado. Até os 9 anos a criança terá esses conceitos melhor definidos. É na infância que se adquirem hábitos duradouros e a mentira pode se tornar um deles. Os pais precisam estar atentos, pois omitir, distorcer os fatos ou “contar diferente” também é sinal de mentira.

É importante refletirmos e entendermos a cerca do mundo da criança. O contexto em que vive. Os pequeninos são observadores natos. Eles inspiram-se em alguém e primeiramente em seus pais.
O que seus filhos têm visto em você? Uma mãe que conta uma mentirinha pra não atender ao telefone ou para justificar um atraso?
Aqui em casa não mentimos sobre nada. Conseguimos ser felizes e nos divertirmos no natal mesmo que nossos filhos não acreditem que o papai Noel que lhes traz os presentes. Eles não precisam acreditar em coelhinho da páscoa ou fada dos dentes. Não precisam ter medo de bicho papão pra obedecer.
Nossos filhos precisam de modelos que lhes ensinem por preceito e, por exemplo, a serem íntegros, fieis a verdade mesmo que possa machucar de vez em quando. Pais rudes ou que gritam corem o risco de estar afugentando a verdade dos lábios de seus filhos.
Nos não devemos ignorar nem a menos das mentiras mesmo que pareçam fantasias. A conversa paciente, sem humilhações e com habilidoso amor é capaz de comover o filho e converte-lo a verdade. Crianças também erram e precisam aprender a pedir perdão.

Deixe seu filho entender que você não o condena, mas sim a atitude errada de mentir. Não o rotule de mentiroso.
As fantasias são necessárias para o desenvolvimento infantil saudável, mas a mãe precisa ensinar a diferença entre irreal e mentira. Nós sabemos quando nossos filhos estão mentindo. Geralmente é para fugirem de algum tipo de responsabilidade e isso é perigoso, pois pode prejudicar alguém.

Eu me pergunto: qual é o modelo que a Emanuele, a Gabriele e o Isaac têm hoje e que vão repetir pelo resto da vida?
“ A maior necessidade do mundo é a de homens – homens que se não comprem, nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus” (Ellen G Wite – educação)

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